Vaquejadas e a luta dos ativistas

14/10/2017

Diante de novas leis que beneficiam os maus-tratos, ativistas apelam para comoção nacional através de petições

Faz parte da cultura do país o uso de animais para o entretenimento, como rodeios e vaquejadas. O Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a decretar que era inconstitucional a prática de vaquejada no Brasil, graças ao parecer de médicos veterinários alegando que a prática era intrinsecamente cruel.

Vânia explica sobre a dificuldade de uma lei ativa Imagens: Thiago Figueredo

Vânia Plaza Nunes é veterinária e diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e participou na época desse processo. "Foi importante quando aconteceu, estou nessa questão há mais de 17 anos, foi um dia inesquecível, fizemos um trabalho enorme com todos os ministros do STF, mandando materiais, relatórios, fui a todas as audiências públicas", conta. 

Mais tarde, a bancada ruralista se manifestou e, em novembro de 2016, o Senado aprovou o Projeto de Lei nº 24/2016, que estabeleceu rodeios, vaquejadas e outras atividades com animais como "patrimônio cultural" do Brasil.   

A Constituição é uma coisa que foi feita para ser cumprida, e olha o poder que eles tiveram, mudaram nossa Constituição para garantir que os maus-tratos animais fossem uma prática cultural"

Vânia Plaza Nunes

Para Vânia, a esperança é que esse cenário possa se reverter. Segundo ela, defender animais que não sejam cães e gatos é mais difícil e é necessário pessoas que se preocupem com todos os animais. 

A ativista Luiza Mell, que tem formação em direito, utiliza seus conhecimentos para defender a causa animal. Ela participou de várias discussões sobre a vaquejada em audiência pública e comprou briga com vários deputados que eram favoráveis a prática. Teve muita dificuldade para defender o ponto de vista dos ativistas, teve falas cortadas e recebeu vaias quando mencionava a questão da pecuária e os impactos para o meio ambiente. Segundo Luisa, temos evidentemente uma bancada ruralista que nunca acatará pedidos de ativistas, nem sequer a quiseram ouvir porque defender animais foge do interesse deles.   

Fui ameaçada, tive que ir escoltada para Brasília na época das brigas pela vaquejada"

Luisa Mell

Luisa desabafa em entrevista Foto: Neila Crespo


Como são as provas 

Nas provas de vaquejada são usados cavalos e bois, um peão em cima do cavalo deve derrubar o boi, que é chicoteado, têm seus chifres cortados e rabos arrancados. A cauda partida do animal é tida como troféu pelos competidores. E o desgaste do animal não é só nas provas, pois tem o transporte e a espera, período em que fica amarrado. Os maiores eventos de vaquejada acontecem na Bahia e costumam durar sete dias ininterruptos.

Essas práticas, como rodeios e vaquejadas, ainda acontecem pelo país afora. Algumas cidades aboliram os rodeios, mas ainda acontecem muitos eventos que costumam atrair um grande número de pessoas, mesmo estando na lei que é preciso zelar pelo bem-estar do animal.


Ouça o bate-papo de Vânia com o Viva Vegan, na íntegra: