O veganismo é elitista?

05/11/2017

O veganismo é a maneira mais eficaz de economizar, mas ainda é tido como elitista pela falta de acesso à informação

Muitos, ao ouvir de alguém que é vegano, acabam soltando a pergunta mais comum: "Mas o que você come?" Essa problemática com a qual o vegano lida constantemente está ligada a algo muito real que precisa ser desconstruído, que é o pensamento de que o veganismo é elitista. Esse pensamento foi estruturado na construção de um nicho de mercado. Quando algo não é comum, ele se torna um potencial para um novo segmento e isso não é errado, tem muito a ver com a lei da oferta e procura. Nessa lei de mercado, há o pensamento da utilidade marginal, que em síntese é a lei da necessidade, isto é, se alguém quer e não encontra fácil logo, quem tem poderá valorizar. Diante deste fato restaurantes gourmetizam sanduíches feitos de carne de beterraba, feijão e outros tantos pratos feitos com alimentos simples e acessíveis do dia a dia. 

Isso, no entanto, só é possível enquanto o veganismo não for associado a algumas lógicas como: o quilo de carne é muito mais caro que o quilo de batata. Encher a cesta de vegetais é a maior economia que você pode fazer dentro de um mercado. O que é caro é o produto elitizado como nicho do mercado, custoso é seguir tendências dentro deste também segmento. Nessas circunstâncias, há o perigo maior, trocar uma ideologia tão linda como é a do veganismo e esquecer sua causa maior, que é o amor pelos animais. 

Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Thallita Floripes Xavier Torres, conhecida como Thallita Flor, tem 22 anos, é atriz e cozinheira e trabalha essa desconstrução na comunidade onde vive. Ela mora na Favela da Rocinha e é dona do Banana Buffet, responsavel por distribuir marmitas veganas aos moradores locais e até na Zona Sul do Rio.  Thallita concorda que nos dias atuais o veganismo, por falta de informações, tem essa barreira criada por um segmento de mercado para chegar ao grande público. Ela usa sua profissão para fazer um ativismo social, 

concretizando a luta diretamente na marmita das pessoas mais simples que, por vezes, não sabem nem o significado da palavra vegana, mas que sempre souberam o que é um prato cheio de legumes feitos com carinho e  dedicação. 

Quando pensamos em veganismo,  pensamos em comprar produtos. Tem muita informação que precisa ser repassada pois o veganismo não é isso, tem informação que não chega a todas as pessoas" 

Thallita Flor

Thalitta preparando pratos no "Encontro com Fátima Bernardes"  Foto: Arquivo pessoal

Recentemente, Thallita foi convidada para participar do "Encontro com Fátima Bernardes". Ao ter a possibilidade de levar o veganismo à grande mídia, ela desconstruiu o conceito elitista, fazendo pratos de execução fácil. Esse é um passo em favor da verdadeira causa, que é acessível a todos.

Thallita conta que, na favela, as pessoas têm muito interesse em saber o que ela come e como vive, até conhecer suas marmitas e entenderem como é fácil e simples se alimentar sem exploração animal. Suas marmitas com preços acessíveis -  variam de R$ 12 a R$ 15 reais - viabilizam a causa contra o especismo de alguém que, engajada de fato na causa, vê o veganismo como luta ativista.

Acompanhe o cardápio delivery do Banana Buffet nas redes sociais:

#veganismo #alimentacaovegana