Oi, eu sou o Vegan!

Quando a tia Neila foi comprar o vestidinho para a minha irmã porquinha Viva, que seria a modelete porquete desse site, ela não sabia o tamanho dela (sim, gente, o vestidinho ficou pequeno pra Viva, roinc, roinc). Aí ela me olhou e viu que o vestido tinha sido feito na medida pra mim, e acabou me contratando para essa sessão de fotos. Eu não liguei que me vestiram de menina, na verdade, até gostei. Sabe por quê? Eu acho interessante esse lance de desconstruir padrões, em todos os sentidos, se é que vocês me entendem, né? Quebrar hábitos alimentares que escravizam e matam animais, questionar tudo o que excluí o outro, seja pela cor da pele ou pela escolha de gênero. As pessoas e os porquinhos podem ser o que quiserem!

Eu vou contar um pouco pra vocês de como conheci a tia Neila e a tia Vânia:

Elas chegaram aqui onde moro com minha família, bem pertinho de Dois Córregos, tiraram um monte de selfies, fizeram story para o Instagram. 

Conheceram as duas vacas que são mamães, e seus bebezinhos, que vivem na natureza e podem usufruir do contato materno e do leite que são deles.

Elas então armaram um circo; colocaram florzinha, lenço, quadrinho escrito "I love animals", e eu só espiando do meu cercadinho e pensando: isso aí não vai rolar não, titias... 



Depois de constatarem o óbivio, que o vestidinho não serveria na Viva, sobrou quem? Eu, o Vegan. Estava também tão claro que eu daria muito trabalho, porque, sabe, tive muito medo ao ser tirado de minha mamãe.


 


E então, voltei para minha família!


Elas então conseguiram. Colocaram-me dentro desse vestidinho de bolinhas. Sabe, fiquei muito lindo. O único problema é que eu não conseguia me concentrar na sessão de fotos porque minha mamãe chorava muito e eu fiquei muito inseguro em ficar longe dela.


Eu, enfim consegui fugir das garras dessas titias malucas e fui para minha casa avisar minha mamãe que estava tudo bem.

Quando eu cheguei, pude compreender o valor da família, porque eles me cheiraram com amor, mesmo estando de vestido vermelho e sendo menino. Acho isso tão lindo. Eles nem se importaram que eu estava de vestido e não de calça e camisa. Minha família sabe o verdadeiro significado de amar o outro, pelo que ele significa e não pelo que ele escolhe.

Eu já ouvi histórias de humanos que amam menos seus irmãos se eles estiverem vestidos de forma diferente, também não entendi essa parte... 

Sabe, minha mamãe me contou que ela ficou tão desesperada assim porque, nessa época no ano passado, as pessoas foram lá na nossa casa para pegar os meus irmãos que nasceram antes de mim. Ela disse que humanos pegam os bebês de porquinhos para comemorar o nascimento de alguém e os colocam com uma maçã na boca em cima da mesa. Eu fiquei sem entender: como eles conseguem respirar com uma maçã na boca e porque mamãe ficou tão triste com isso, já que amamos maçãs... 

Nosso reencontro foi tão feliz, mamãe até sorriu e eu então disse: "Calma aí, galera, que eu tenho um plano!" 

Então fui correndo para a mina de água e a titia Neila tirou minha roupa para não molhar. Foi então que a tia Cláudia abriu a casinha da minha família, para que todo mundo se divertisse. 




Corremos e brincamos igual nossos amigos cachorrinhos...



Foi muito divertido, todos   entramos na fonte e pulamos de um lado para outro, balançando o rabinho de  tão felizes. Foi realmente um dia que não queríamos que acabasse...

Depois de cansado de tanto correr de um lado para outro e depois de destruir aquele quadrinho escrito "I love animals", comer a flor que as tias Neila e Vânia trouxeram para a sessão de fotos, de fuçar nas bolsas delas feito cachorrinho xereta, roinc, roinc, eu fui beber água na fonte com minha mamãe e ela me disse: "Essas duas titias parecem ser do bem". Foi então que eu fofoquei pra ela o que ouvi ela dizerem para a tia Cláudia: "Parece que elas estão fazendo um trabalho para que as pessoas passem a olhar a gente diferente. Parece que elas sonham o mesmo sonho nosso". 

Parece que elas sonham que mais pessoas nos olhem com amor e não com fome" 

Vegan 

* Fotos e texto: Neila Crespo